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sexta-feira, 29 de maio de 2009

DEVOLVENDO O DINHEIRO DE DEUS




Dízimo quer dizer a décima parte do que ganhamos. A primeira vez que se menciona a palavra “dízimo” na Bíblia é em Gênesis 14: 18 -24. Nessa passagem Abraão entrega o dízimo a Melquisedeque, sacerdote e rei de Salém. Não encontramos uma ordem expressa de Deus para que Abraão tenha tomado essa atitude, todavia entendemos que dizimar era uma prática costumeira para esse herói da fé. Há indícios históricos de várias civilizações antigas como Babilônios, Gregos, Romanos e Árabes que tinham o dízimo como uma prática ordenada pelo estado e praticada pelo povo a seu deus.
Em Malaquias 3: 7 -12 nós encontramos a clássica passagem sobre a entrega dos dízimos: “Trazei todos os dízimos à casa dos tesouros...” O Profeta condena diversos pecados, principalmente a negligência na entrega dos dízimos e ofertas. Ele desafia o povo a fazer prova de Deus entregando os dízimos fielmente e, com isso, receber as bênçãos de Deus. O que muitos cristãos se apegam nesse texto, é o fato de haver uma promessa expressa de Deus, com bênçãos. É claro que Deus abençoa, contudo, não devemos entregar os dízimos simplesmente para trocarmos o dinheiro que temos nas mãos por bênçãos vindas dos céus. O que deve nos motivar a sermos dizimistas fieis é a compreensão que temos de mordomia em relação ao dinheiro. Não somos donos do salário, apenas administramos para o Senhor e, por essa razão, entregamos a décima parte. A fidelidade de Deus não depende da nossa fidelidade, mas “a casa dos tesouros”, ou seja, “a igreja”, necessita: “...para que haja mantimento em minha casa...” Ml 3: 10. Este é o projeto de Deus para a Igreja.
Há quem diga que no Novo Testamento foi abolida a prática do dízimo. Tal afirmativa não é verdadeira, pois Jesus não veio revogar a lei, mas cumpri-la (Mt 5:17). Devemos aqui fazer uma distinção entre lei moral e lei cerimonial. Lei cerimonial ficou limitada ao Antigo Testamento: Sacrifícios, jornada de um sábado, alimentação etc. A lei moral por sua vez permanece válida: casamento, adultério, ensino aos filhos etc. Os dez mandamentos fazem parte dessas leis morais porque são princípios eternos estabelecidos por Deus para as relações humanas. O próprio Sermão da Montanha (Mateus 5 – 7) trata-se de um reforço cristão à lei de Moisés.
Assim também acontece com o dízimo. Ele pertence à lei moral de propriedade de Deus. Deus é o dono de tudo e devemos reconhecer essa propriedade através dos dízimos. Contudo, devemos fazer uma distinção entre o dízimo do Antigo Testamento e o do Novo. Enquanto no Antigo o dízimo era uma imposição até com ameaças de maldição para aquele que se recusasse a entregá-lo, no Novo testamento o dízimo é voluntário e deve ser motivado pelo amor à causa do Senhor. O Senhor Jesus não obrigou os seus discípulos a serem dizimistas; confiou no amor liberal de cada cristão em contribuir com a causa do evangelho. Sendo assim, devemos entregar os dízimos não porque somos constrangidos, mas porque amamos ao Senhor e reconhecemos que todo o dinheiro em nossas mãos pertence a Ele.
Se olharmos bem para a história da Igreja Cristã, observaremos que, em seus primórdios, a igreja tinha por hábito entregar tudo aos pés dos Apóstolos para ser repartido a todos de forma que, nada faltava aos irmãos (Atos 2: 42- 47 e 4: 32 – 35). Assim, a contribuição era muito maior do que a décima parte, era total. O desafio para os cristãos de hoje é manter o mesmo zelo na devolução dos dízimos à casa dos tesouros.
Que o Senhor nos dê a voluntariedade e a liberalidade em restituirmos a Ele, dono de tudo o que há.

Rev. Ary Sergio Abreu Mota